Palmas tem teatro e cinema parados e sem data definida para reabertura
Dois dos principais espaços culturais de Palmas estão fechados e sem data para reabertura. O Theatro Fernanda Montenegro está em reforma há seis anos, enquanto o Cine Cultura, referência na exibição de filmes nacionais e produções de cunho artístico, está sem programação desde maio de 2025.
Tanto os artistas como o público aguardam a abertura dos espaços que são essenciais para a difusão de arte na capital.
“Ter esse espaço em funcionamento sempre foi símbolo de empoderamento artístico, não só para a área teatral tocantinense, mas para todas as artes e para toda a sociedade que tem nele um lugar de acesso à fruição artística de qualidade. Nesse tempo [fechamento do Theatro], todos os artistas se reinventaram e buscaram produzir espetáculos menores para espaços alternativos, de rua, ou simplesmente pararam sua produção teatral, infelizmente”, contou o ator e diretor Kaká Nogueira.
📱 Clique aqui para seguir o canal do g1 TO no WhatsApp
Espetáculo Drácula, exibido em março de 2020
Flaviana Ox
A presidente da Fundação Cultural de Palmas, Luara Aquino, explicou ao g1 como está o andamento das obras, as melhorias que devem ser feitas nas estruturas e novidades sobre a modernização do cinema.
Veja os assuntos abordados na reportagem:
Última apresentação no Theatro e sonho da reabertura
Reforma no Theatro Fernanda Montenegro
Aplicativo e retorno da programação do Cine Cultura
Espetáculo Torrenegra de 2017
Ana Kanitz
Última apresentação no Theatro e sonho da reabertura
Quem vive da arte sente diretamente as consequências de ter o Theatro Fernanda Montenegro fechado por tantos anos. O diretor do Grupo Cenaberta e presidente da Federação Tocantinense de Artes Cênicas, Kaká Nogueira, dirigiu o último espetáculo aberto ao público no local: a comédia Drácula, exibida em março de 2020.
Kaká explica que, sem um espaço adequado para os espetáculos, os artistas estão tendo que fazer adaptações, aumentando o custo da produção e sobrecarregando o único teatro em funcionamento na capital — que pertence a uma entidade privada.
“Ter o Theatro Fernanda Montenegro fechado por seis anos é algo impensável para quem produz cultura em Palmas e no Tocantins. Mais do que um símbolo cultural negativo, seu fechamento impede que grupos profissionais montem e apresentem espetáculos qualificados para o grande público. Impede que grupos e espetáculos de outros estados e países se apresentem em Palmas com a qualidade necessária”, disse.
Espetáculo Drácula, exibido em março de 2020
Flaviana Ox
O diretor relembra que grandes nomes do teatro passaram pelo palco do Fernanda Montenegro.
“Sempre foi o farol para as artes cênicas. Espaço que recebeu centenas de produções de todos os tamanhos, gêneros e tipos, inclusive de grandes nomes como a própria Fernanda Montenegro, Paulo Autran, Bibi Ferreira e tantos outros, mas também que consagrou atores e atrizes tocantinenses como Bell Gama, Paulo Vieira, Kaká Nogueira, Juliano Gomes, Cícero Belém, Thiago Omena, Cleuda Milhomem, Cinthia Abreu e dezenas de outros”.
Espetáculo Torrenegra
Ana Kanitz
Um dos artistas que viveu a arte no palco do espaço foi o ator e diretor de cinema Nival Correia, que tem uma ligação afetiva com o Theatro. Ele explica que o fechamento do espaço é a interrupção de um fluxo.
“Para quem vive no teatro, isso impacta diretamente na continuidade das pesquisas, na geração de renda e no fortalecimento da cena local. Reabrir o Theatro Fernanda Montenegro é, portanto, uma necessidade urgente. Não apenas para devolver à cidade seu principal equipamento cultural, mas para reativar toda uma cadeia criativa que depende dele”.
Espetáculo da Companhia de Teatro Chama Viva ‘O Anel de Magalão’ de 2004
Fernando Alves
Para Nival, a reabertura do Theatro deve devolver à cidade um local de formação e expressão, além de um reencontro com parte tão importante de sua história.
“Eu já vi plateias se emocionarem, se reconhecerem e se transformarem ali dentro. Esse contato direto com a arte é fundamental para a formação crítica e sensível de uma cidade, especialmente uma capital jovem como Palmas. Ao longo dos anos, o teatro recebeu montagens importantes e diversas linguagens artísticas, do teatro à dança, da música aos espetáculos híbridos, com grupos, como: Grupo de Teatro Chama Viva, Grupo Cima, A Barraca Cia Experimental de Teatro, Cia Cenaberta e Cia Sorria Meu Bem”.
Espetáculo Sacra Volia de 2003
Fernando Alves
🔎 Você sabia? A Constituição Federal garante que todos tenham acesso à fontes da cultura nacional e expressão dos direitos culturais. Conforme o documento, o Estado deve proteger as manifestações das culturas populares, indígenas e afro-brasileiras, além de fomentar a produção, difusão e circulação de conhecimento e bens culturais.
LEIA TAMBÉM
Beleza natural da ‘Lagoa Azul’ atrai visitantes em Luzimangues; área ainda não é regulamentada
Imagem do Jalapão vence concurso nacional e ensaio indígena do Tocantins vai representar o Brasil no exterior
Casal de médicos do TO une fé e amor em casamento no Vaticano; VÍDEO
Reforma sem prazo para finalizar
O Theatro foi projetado pela empresa Cineplast, com construção cênica elaborada por Antônio Guerra, iniciada em 1994. O local foi inaugurado no dia 30 de junho de 2000, com espaço para 530 lugares. Desde então, recebeu peças, concertos, espetáculos de balé e diversos programas artísticos.
Em 2020, as atividades tiveram que ser paralisadas por causa da pandemia da Covid-19. O Theatro seguiu fechado nos anos seguintes após anúncio de reformas na estrutura, que apresentava problemas de infiltração e rachaduras na parte interna. Em 2023, a prefeitura assinou a ordem de serviço, mas as obras ainda não foram finalizadas.
Em imagens registradas pelo prefeito Eduardo Siqueira Campos (Podemos), em janeiro de 2025, é possível ver que carpetes e todas as cadeiras foram retirados, além de fiações expostas e parte do teto destruído.
Prefeito de Palmas publicou vídeo mostrando estrutura do Theatro Fernanda Montenegro
Reprodução/Instagram Eduardo Siqueira Campos
Mas como estão as reformas? Segundo a presidente da Fundação Cultural, a Cineplast fez a análise do Theatro e foi assinada a ordem de serviço para a produção dos projetos arquitetônicos do espaço. Eles devem incluir:
Mecânica cênica
Vestimenta cênica
Iluminação cênica
Iluminação geral
Sonorização
Videoprojeção
Acústica
Acessibilidade
Combate a incêndios
Camarins
Entrada do Theatro
A presidente da Fundação Cultural informou que ainda não há previsão de reabertura do Theatro e que, devido ao tempo em que o local ficou fechado, muitos equipamentos ficaram desgastados.
“Já está dada a ordem de serviço, então essas coisas já estão em andamento. Todo o tratamento que se quer dar é atualidade para o lugar. A gente tem um recurso em mãos, né? Então, nós estamos nessa situação, porque tem um levantamento já feito, foi feita uma atualização, mas agora se faz uma nova atualização por causa dos projetos que não estavam incluídos”.
Aplicativo e retorno da programação do Cine Cultura
O Cine Cultura está há quase um ano sem exibir filmes. A última programação foi divulgada em maio de 2025. O espaço tem uma curadoria que prioriza filmes com cunho cultural e artístico, sendo uma alternativa para exibição de filmes que não vão para os cinemas comerciais.
Segundo a presidente da Fundação Cultural, o local passou por reforma para resolver infiltrações, trocar os condicionadores de ar e para fazer higienização das cadeiras e tecidos que ficam na lateral do espaço.
“Estamos terminando essa higienização, que é muito importante. Nós estamos terminando para começar. A gente queria ainda começar esse mês. Fazer mostras separadas do mesmo jeito, colocar filmes que estejam no circuito brasileiro, que sejam os filmes que a gente valoriza, o cinema brasileiro, a produção local”, explicou Luara Aquino.
Cine Cultura em Palmas (TO)
Stefani Cavalcante/g1
Ainda não foi divulgada uma data específica para o retorno da programação de filmes. Conforme a presidente, o cinema deve adquirir um projetor que custa aproximadamente R$ 500 mil. O equipamento deve ser comprado com recursos da prefeitura e da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB).
“Nós temos uma aquisição de um projetor que está em andamento. Um novo projetor, um pouco mais avançado do que o que está. E a sonorização a gente quer ver se consegue agora na PNAB. Aquisição para um upgrade na parte de som. Demos uma melhorada ali na entrada, tiramos o excesso de material que tinha ali”.
Aplicativo do Cine Cultura: A Fundação Cultural de Palmas já testou um aplicativo que será destinado à compra de ingressos e alimentos. O programa ainda não foi lançado. A iniciativa busca modernizar e facilitar o acesso ao público.
Veja mais notícias da região no g1 Tocantins.
Dois dos principais espaços culturais de Palmas estão fechados e sem data para reabertura. O Theatro Fernanda Montenegro está em reforma há seis anos, enquanto o Cine Cultura, referência na exibição de filmes nacionais e produções de cunho artístico, está sem programação desde maio de 2025.
Tanto os artistas como o público aguardam a abertura dos espaços que são essenciais para a difusão de arte na capital.
“Ter esse espaço em funcionamento sempre foi símbolo de empoderamento artístico, não só para a área teatral tocantinense, mas para todas as artes e para toda a sociedade que tem nele um lugar de acesso à fruição artística de qualidade. Nesse tempo [fechamento do Theatro], todos os artistas se reinventaram e buscaram produzir espetáculos menores para espaços alternativos, de rua, ou simplesmente pararam sua produção teatral, infelizmente”, contou o ator e diretor Kaká Nogueira.
📱 Clique aqui para seguir o canal do g1 TO no WhatsApp
Espetáculo Drácula, exibido em março de 2020
Flaviana Ox
A presidente da Fundação Cultural de Palmas, Luara Aquino, explicou ao g1 como está o andamento das obras, as melhorias que devem ser feitas nas estruturas e novidades sobre a modernização do cinema.
Veja os assuntos abordados na reportagem:
Última apresentação no Theatro e sonho da reabertura
Reforma no Theatro Fernanda Montenegro
Aplicativo e retorno da programação do Cine Cultura
Espetáculo Torrenegra de 2017
Ana Kanitz
Última apresentação no Theatro e sonho da reabertura
Quem vive da arte sente diretamente as consequências de ter o Theatro Fernanda Montenegro fechado por tantos anos. O diretor do Grupo Cenaberta e presidente da Federação Tocantinense de Artes Cênicas, Kaká Nogueira, dirigiu o último espetáculo aberto ao público no local: a comédia Drácula, exibida em março de 2020.
Kaká explica que, sem um espaço adequado para os espetáculos, os artistas estão tendo que fazer adaptações, aumentando o custo da produção e sobrecarregando o único teatro em funcionamento na capital — que pertence a uma entidade privada.
“Ter o Theatro Fernanda Montenegro fechado por seis anos é algo impensável para quem produz cultura em Palmas e no Tocantins. Mais do que um símbolo cultural negativo, seu fechamento impede que grupos profissionais montem e apresentem espetáculos qualificados para o grande público. Impede que grupos e espetáculos de outros estados e países se apresentem em Palmas com a qualidade necessária”, disse.
Espetáculo Drácula, exibido em março de 2020
Flaviana Ox
O diretor relembra que grandes nomes do teatro passaram pelo palco do Fernanda Montenegro.
“Sempre foi o farol para as artes cênicas. Espaço que recebeu centenas de produções de todos os tamanhos, gêneros e tipos, inclusive de grandes nomes como a própria Fernanda Montenegro, Paulo Autran, Bibi Ferreira e tantos outros, mas também que consagrou atores e atrizes tocantinenses como Bell Gama, Paulo Vieira, Kaká Nogueira, Juliano Gomes, Cícero Belém, Thiago Omena, Cleuda Milhomem, Cinthia Abreu e dezenas de outros”.
Espetáculo Torrenegra
Ana Kanitz
Um dos artistas que viveu a arte no palco do espaço foi o ator e diretor de cinema Nival Correia, que tem uma ligação afetiva com o Theatro. Ele explica que o fechamento do espaço é a interrupção de um fluxo.
“Para quem vive no teatro, isso impacta diretamente na continuidade das pesquisas, na geração de renda e no fortalecimento da cena local. Reabrir o Theatro Fernanda Montenegro é, portanto, uma necessidade urgente. Não apenas para devolver à cidade seu principal equipamento cultural, mas para reativar toda uma cadeia criativa que depende dele”.
Espetáculo da Companhia de Teatro Chama Viva ‘O Anel de Magalão’ de 2004
Fernando Alves
Para Nival, a reabertura do Theatro deve devolver à cidade um local de formação e expressão, além de um reencontro com parte tão importante de sua história.
“Eu já vi plateias se emocionarem, se reconhecerem e se transformarem ali dentro. Esse contato direto com a arte é fundamental para a formação crítica e sensível de uma cidade, especialmente uma capital jovem como Palmas. Ao longo dos anos, o teatro recebeu montagens importantes e diversas linguagens artísticas, do teatro à dança, da música aos espetáculos híbridos, com grupos, como: Grupo de Teatro Chama Viva, Grupo Cima, A Barraca Cia Experimental de Teatro, Cia Cenaberta e Cia Sorria Meu Bem”.
Espetáculo Sacra Volia de 2003
Fernando Alves
🔎 Você sabia? A Constituição Federal garante que todos tenham acesso à fontes da cultura nacional e expressão dos direitos culturais. Conforme o documento, o Estado deve proteger as manifestações das culturas populares, indígenas e afro-brasileiras, além de fomentar a produção, difusão e circulação de conhecimento e bens culturais.
LEIA TAMBÉM
Beleza natural da ‘Lagoa Azul’ atrai visitantes em Luzimangues; área ainda não é regulamentada
Imagem do Jalapão vence concurso nacional e ensaio indígena do Tocantins vai representar o Brasil no exterior
Casal de médicos do TO une fé e amor em casamento no Vaticano; VÍDEO
Reforma sem prazo para finalizar
O Theatro foi projetado pela empresa Cineplast, com construção cênica elaborada por Antônio Guerra, iniciada em 1994. O local foi inaugurado no dia 30 de junho de 2000, com espaço para 530 lugares. Desde então, recebeu peças, concertos, espetáculos de balé e diversos programas artísticos.
Em 2020, as atividades tiveram que ser paralisadas por causa da pandemia da Covid-19. O Theatro seguiu fechado nos anos seguintes após anúncio de reformas na estrutura, que apresentava problemas de infiltração e rachaduras na parte interna. Em 2023, a prefeitura assinou a ordem de serviço, mas as obras ainda não foram finalizadas.
Em imagens registradas pelo prefeito Eduardo Siqueira Campos (Podemos), em janeiro de 2025, é possível ver que carpetes e todas as cadeiras foram retirados, além de fiações expostas e parte do teto destruído.
Prefeito de Palmas publicou vídeo mostrando estrutura do Theatro Fernanda Montenegro
Reprodução/Instagram Eduardo Siqueira Campos
Mas como estão as reformas? Segundo a presidente da Fundação Cultural, a Cineplast fez a análise do Theatro e foi assinada a ordem de serviço para a produção dos projetos arquitetônicos do espaço. Eles devem incluir:
Mecânica cênica
Vestimenta cênica
Iluminação cênica
Iluminação geral
Sonorização
Videoprojeção
Acústica
Acessibilidade
Combate a incêndios
Camarins
Entrada do Theatro
A presidente da Fundação Cultural informou que ainda não há previsão de reabertura do Theatro e que, devido ao tempo em que o local ficou fechado, muitos equipamentos ficaram desgastados.
“Já está dada a ordem de serviço, então essas coisas já estão em andamento. Todo o tratamento que se quer dar é atualidade para o lugar. A gente tem um recurso em mãos, né? Então, nós estamos nessa situação, porque tem um levantamento já feito, foi feita uma atualização, mas agora se faz uma nova atualização por causa dos projetos que não estavam incluídos”.
Aplicativo e retorno da programação do Cine Cultura
O Cine Cultura está há quase um ano sem exibir filmes. A última programação foi divulgada em maio de 2025. O espaço tem uma curadoria que prioriza filmes com cunho cultural e artístico, sendo uma alternativa para exibição de filmes que não vão para os cinemas comerciais.
Segundo a presidente da Fundação Cultural, o local passou por reforma para resolver infiltrações, trocar os condicionadores de ar e para fazer higienização das cadeiras e tecidos que ficam na lateral do espaço.
“Estamos terminando essa higienização, que é muito importante. Nós estamos terminando para começar. A gente queria ainda começar esse mês. Fazer mostras separadas do mesmo jeito, colocar filmes que estejam no circuito brasileiro, que sejam os filmes que a gente valoriza, o cinema brasileiro, a produção local”, explicou Luara Aquino.
Cine Cultura em Palmas (TO)
Stefani Cavalcante/g1
Ainda não foi divulgada uma data específica para o retorno da programação de filmes. Conforme a presidente, o cinema deve adquirir um projetor que custa aproximadamente R$ 500 mil. O equipamento deve ser comprado com recursos da prefeitura e da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB).
“Nós temos uma aquisição de um projetor que está em andamento. Um novo projetor, um pouco mais avançado do que o que está. E a sonorização a gente quer ver se consegue agora na PNAB. Aquisição para um upgrade na parte de som. Demos uma melhorada ali na entrada, tiramos o excesso de material que tinha ali”.
Aplicativo do Cine Cultura: A Fundação Cultural de Palmas já testou um aplicativo que será destinado à compra de ingressos e alimentos. O programa ainda não foi lançado. A iniciativa busca modernizar e facilitar o acesso ao público.
Veja mais notícias da região no g1 Tocantins.
