Café se transforma em produto turístico e amplia o potencial do Caparaó do ES
Conhecido pelos cafés especiais, cachoeiras de águas transparentes e pelo Pico da Bandeira, a região do Caparaó capixaba, no Sul do Espírito Santo, tem, desde o início deste ano, um novo atrativo que combina natureza, gastronomia e cultura local para movimentar a economia na região.
Chamado de “Experiência com cafés de origem Caparaó”, o projeto é um roteiro que pretende diversificar a renda no campo e transformar a cafeicultura em um produto turístico, em todas as suas fases de produção, explorando o destino para além do ecoturismo.
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Passando por Divino de São Lourenço (distrito de Patrimônio da Penha), Dores do Rio Preto (sede e distrito de Pedra Menina), Ibitirama, Irupi e Iúna (distrito de São João do Príncipe), agora é possível desfrutar de vivências nas propriedades rurais que passaram de pai para filho e servem de sustento para as famílias.
Em algumas delas, as experiências são mais sensoriais, com degustação guiada; em outras, o turista pode acompanhar o processo de colheita, secagem e moagem dos grãos especiais.
Café do Sol Nascente, em Iúna, Caparaó, Espírito Santo.
Divulgação
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Há ainda a opção de finalizar a visita com um café colonial, como é o caso do negócio da família responsável pelo Café do Sol Nascente, em Iúna. Lá, os produtores recebem, em um casarão centenário, visitantes que passeiam pela região e decidem fazer uma pausa para comer na varanda do imóvel que parece saído de filmes antigos.
“Nós preservamos a casa há quatro gerações, é onde o meu bisavô morou, uma casa de pau a pique localizada entre várias pousadas no Caparaó”, explicou a empreendedora Deisy Prottes, de 42 anos, que gerencia o negócio.
O interesse dos turistas pela casa, a falta de cafeterias próximas aos pontos turísticos da cidade e a experiência da família na cafeicultura foram a combinação perfeita para fazer surgir a ideia do negócio.
“A vida inteira nós trabalhamos com café, foi passando de geração para geração. Aí, em 2024, decidimos abrir a casa. A região do Caparaó cresceu muito, aqui nós tínhamos várias pousadas, restaurantes, mas cafeteria não.”
Café do Sol Nascente, em Iúna, Caparaó, Espírito Santo.
Divulgação
A ideia de Deisy, que foi apoiada pelo pai e irmão que cuidam das lavouras, no entanto, só começou a dar resultados a partir da estruturação do roteiro pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Espírito Santo (Sebrae/ES). Ela contou que, antes, estava perdendo as esperanças de que a iniciativa daria certo.
“O Sebrae chegou e a equipe abriu os meus olhos. Eu troquei algumas coisas do cardápio, passamos a guiar as pessoas pela trilha do café, mostrando como funciona o cultivo. Agora está dando muito certo.”
A turista Simone Brasileiro, de 38 anos, de Campos dos Goytacazes (RJ), contou que conhecer o local foi uma experiência que vai muito além do café. “É um lugar que te acolhe de verdade.”
“Cada cômodo foi transformado em um cantinho com mesas, e tudo ali lembra muito um café de vó. Aquele lugar onde a gente se sente seguro, acolhido e com vontade de ficar. Existe uma energia muito afetiva ali”, relatou a fotógrafa.
A turista Simone Brasileiro experenciou o Caparaó no Espírito Santo e se apaixonou pelo café da região.
Reprodução
O planejamento, que alavancou o negócio do Café do Sol Nascente e outros nove empreendimentos do Caparaó, se deu com o objetivo de oferecer uma gama de possibilidades para aumentar o tempo de estadia dos turistas nas cidades da região, como explica Leonardo Ferreira, analista da regional Caparaó do Sebrae/ES.
“A gente criou o roteiro com o objetivo de ter um ‘cardápio’, algo abrangente que trouxesse mais capilaridade para aumentar o tempo de estadia dos turistas. E, automaticamente, a gente vai promovendo o desenvolvimento da região por meio dessas ações”.
Para o especialista, a linha entre o turismo e a cafeicultura no Caparaó já é muito tênue, considerando que a região tem grande relevância na produção de café nacional.
“Toda essa relevância, toda essa qualidade, tem uma interface muito grande com o turismo. Além disso, o clima no Caparaó é ameno e há diversas cachoeiras.”
Resultados para a economia e ensinamentos para os turistas
Café Cantinho da Floresta, em Divino de São Lourenço, Caparaó, Espírito Santo
Divulgação
Ampliar o portfólio de atrativos no Caparaó para impulsionar ainda mais o turismo na região passou a ser uma demanda devido à reforma tributária. Desde que as mudanças passaram a valer, os municípios do Espírito Santo têm buscado alternativas para resistir à perda de arrecadação.
⁉️ Com a reforma, impostos federais, o ICMS estadual e o ISS municipal serão substituídos por dois novos impostos: a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). Além disso, o tributo sobre o consumo passará a ser cobrado no local onde os produtos são consumidos, no “destino”, e não mais onde eles são produzidos. Por isso, alguns municípios podem perder receita, visto que eles passam a depender mais de onde as pessoas consomem.
Conforme o analista do Sebrae, o turismo é uma das maneiras mais eficazes de fazer com que o consumo nas cidades aumente.
“Trazer o turismo para dentro faz com que eu traga dinheiro de outros locais para dentro desses municípios, ou para dentro do Estado. Então, o que a gente quer é fomentar o consumo dentro do estado para que isso gere receita para os municípios e eles não sejam tão impactados pela nova reforma tributária.”
A Secretaria de Cultura e Turismo de Dores do Rio Preto, Denise Maria Silvério, afirma que a medida agrega muito valor aos cafés especiais e à região, e que, com o tempo, vai promover melhorias para a própria população.
“Para nós, é de extrema importância que cada vez mais o turismo cresça e a população abrace essa causa para fazer crescer o consumo local, gerar renda, gerar receita e gerar melhorias no município também. Porque, com isso, a gente vai melhorando as estradas, melhorando os acessos, melhorando a parte visual e turística do município.”
Mas, para além de gerar receita às cidades, o roteiro tem outro impacto. Sob o slogan “do pé à xícara”, o projeto incentiva um compartilhamento de conhecimentos – o que as famílias que trabalham há dezenas de anos com o café têm de sobra.
Café Cantinho da Floresta, em Divino de São Lourenço, Caparaó, Espírito Santo
Divulgação
Para o produtor rural Leôncio de Sousa Aguiar, de 34 anos, este é, inclusive, um dos principais pontos positivos do projeto. “Agrega valor ao produto e também traz aprendizado”, defende ele.
Responsável pelo Café Cantinho da Floresta, em Divino de São Lourenço, Leôncio contou que a família está há mais de um século cultivando café no mesmo solo. Tendo iniciado a produção especial em 2021, agora ele e os pais planejam abrir uma cafeteria para proporcionar uma experiência completa aos visitantes.
“Nós vamos levar os turistas à lavoura, depois ao terreiro, em seguida terá a degustação para mostrar como a gente identifica se o café é especial ou não. Isso porque muita gente de grandes cidades não conhece o café. Acha que é um produto fácil que plantou ali, colheu, arrancou, depois plantou de novo. Mas o café exige um cuidado.”
O subsecretário de Turismo de Irupi, Weuller de Souza, que também é barista, complementa. Para ele, as degustações guiadas também são responsáveis por levar “muita informação sobre o café especial, especificamente o do Caparaó, explicando o slogan ‘naturalmente doce, sensorialmente diverso’.”
Além disso, o subsecretário pontua que o roteiro atua trazendo valorização à região, que pode se consolidar como importante destino turístico no país, e às famílias “que se esforçam todos os dias para continuar produzindo com muita técnica e qualidade esse produto que hoje enaltece o nome da região.”
“Essa valorização impulsiona e gera pertencimento para os jovens e crianças que crescem no meio cafeeiro, lhes dando propósito de sucessão no agronegócio familiar”, afirma Weuller de Souza.
Identidade do café e do produtor é parte central do negócio
Sítio Bela Vista, em Ibitirama, Caparaó, Espírito Santo
Divulgação
O aprendizado, no entanto, não é restrito aos turistas. Com a elaboração do projeto, os produtores foram convidados a aprender sobre turismo de experiência e a desenvolverem, com os recursos disponíveis em suas propriedades, um produto próprio e autêntico.
Ao longo de 7 meses, consultores do Sebrae acompanharam os 10 empreendimentos que compõem o roteiro para auxiliar na identificação de atributos que poderiam se transformar em atrativos únicos e compartilhar sugestões de melhorias.
A ideia principal era partir daquilo que já existia e do que os proprietários desejavam criar. Assim, explica Leonardo Ferreira, a família produtora se torna a protagonista da história, tanto do café quanto do negócio.
“A gente tem produtores que têm café e horta, outros que têm cafeteria, outros que têm duas variedades de café. São coisas que enriquecem a história do produtor e que dão ao turista uma oportunidade única de ter um contato com algo que é muito afetivo.”
Sítio Bela Vista, em Ibitirama, Caparaó, Espírito Santo
Divulgação
A partir deste movimento, o produtor também acredita que o trabalho árduo no campo, que resulta em um produto especial, será mais valorizado. É o caso de Pedro Alves da Silva, 48 anos, do Sítio Bela Vista, em Ibitirama.
Na propriedade, o turista vai à lavoura, entende todos os processos da cafeicultura e termina a visita passando na casa do produtor para degustar o café e provar quitutes caseiros.
“A pessoa que vê como é produzido o café vai se interessar mais, porque chegar no mercado e pegar um pacotinho de café é uma coisa; ver como é feito é muito diferente”, disse Pedro Alves.
A capixaba Aline Oliveira, 33 anos, e as amigas que saíram da Grande Vitória rumo ao Caparaó comprovam esse pensamento. “O café é produzido lá mesmo. E aí é uma outra experiência, com o friozinho, a vista, você saber que o café é de lá. O produtor contou como funciona o processo. É um café premiado também. Foi uma experiência maravilhosa”, afirma.
Aline Oliveira e as amigas foram ao Caparaó, no Espírito Santo, e experimentaram o café especial em um deck.
Reprodução
Confira opções de experiências com café na região do Caparaó capixaba:
Café colonial Rota das Garças
📍Dores do Rio Preto
☕ Café colonial com produtos caseiros, frutas colhidas no quintal e vivência no campo.
Villa Januária
📍Pedra Menina, Dores do Rio Preto
☕ Degustação guiada de cafés especiais em meio aos jardins da pousada, com vista para o Vale do Paraíso.
Sítio Menina
📍 Pedra Menina, Dores do Rio Preto
☕ Degustação de cafés filtrados e drinks autorais em deck panorâmico, com vista para o pôr do sol.
Café Cantinho da Floresta
📍Divino de São Lourenço
☕ Vivência sobre o ciclo do café, da lavoura à degustação, com história da produção familiar.
Sítio Campo Azul
📍Divino de São Lourenço
☕Degustação de cafés especiais e quitutes caseiros em meio às montanhas.
Café Relíquia
📍Divino de São Lourenço
☕Passeio pela lavoura, torra artesanal e degustação de cafés premiados.
Sítio Bela Vista
📍Ibitirama
☕Experiência do ciclo do café com degustações harmonizadas e quitutes caseiros.
Vale Encantado
📍Córrego dos Coelhos, Irupi
☕Harmonização de cafés com bala de leite e contação da história local.
Café Sol Nascente
📍Rio Claro, Iúna
☕Café colonial com receitas tradicionais e cafés especiais em casarão histórico.
Café do Príncipe
📍São João do Príncipe, Iúna
☕Vivência sobre torra artesanal, sustentabilidade e degustação com produtos locais.
Café do Sol Nascente, em Iúna, Caparaó, Espírito Santo.
Divulgação
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Conhecido pelos cafés especiais, cachoeiras de águas transparentes e pelo Pico da Bandeira, a região do Caparaó capixaba, no Sul do Espírito Santo, tem, desde o início deste ano, um novo atrativo que combina natureza, gastronomia e cultura local para movimentar a economia na região.
Chamado de “Experiência com cafés de origem Caparaó”, o projeto é um roteiro que pretende diversificar a renda no campo e transformar a cafeicultura em um produto turístico, em todas as suas fases de produção, explorando o destino para além do ecoturismo.
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Passando por Divino de São Lourenço (distrito de Patrimônio da Penha), Dores do Rio Preto (sede e distrito de Pedra Menina), Ibitirama, Irupi e Iúna (distrito de São João do Príncipe), agora é possível desfrutar de vivências nas propriedades rurais que passaram de pai para filho e servem de sustento para as famílias.
Em algumas delas, as experiências são mais sensoriais, com degustação guiada; em outras, o turista pode acompanhar o processo de colheita, secagem e moagem dos grãos especiais.
Café do Sol Nascente, em Iúna, Caparaó, Espírito Santo.
Divulgação
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Há ainda a opção de finalizar a visita com um café colonial, como é o caso do negócio da família responsável pelo Café do Sol Nascente, em Iúna. Lá, os produtores recebem, em um casarão centenário, visitantes que passeiam pela região e decidem fazer uma pausa para comer na varanda do imóvel que parece saído de filmes antigos.
“Nós preservamos a casa há quatro gerações, é onde o meu bisavô morou, uma casa de pau a pique localizada entre várias pousadas no Caparaó”, explicou a empreendedora Deisy Prottes, de 42 anos, que gerencia o negócio.
O interesse dos turistas pela casa, a falta de cafeterias próximas aos pontos turísticos da cidade e a experiência da família na cafeicultura foram a combinação perfeita para fazer surgir a ideia do negócio.
“A vida inteira nós trabalhamos com café, foi passando de geração para geração. Aí, em 2024, decidimos abrir a casa. A região do Caparaó cresceu muito, aqui nós tínhamos várias pousadas, restaurantes, mas cafeteria não.”
Café do Sol Nascente, em Iúna, Caparaó, Espírito Santo.
Divulgação
A ideia de Deisy, que foi apoiada pelo pai e irmão que cuidam das lavouras, no entanto, só começou a dar resultados a partir da estruturação do roteiro pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Espírito Santo (Sebrae/ES). Ela contou que, antes, estava perdendo as esperanças de que a iniciativa daria certo.
“O Sebrae chegou e a equipe abriu os meus olhos. Eu troquei algumas coisas do cardápio, passamos a guiar as pessoas pela trilha do café, mostrando como funciona o cultivo. Agora está dando muito certo.”
A turista Simone Brasileiro, de 38 anos, de Campos dos Goytacazes (RJ), contou que conhecer o local foi uma experiência que vai muito além do café. “É um lugar que te acolhe de verdade.”
“Cada cômodo foi transformado em um cantinho com mesas, e tudo ali lembra muito um café de vó. Aquele lugar onde a gente se sente seguro, acolhido e com vontade de ficar. Existe uma energia muito afetiva ali”, relatou a fotógrafa.
A turista Simone Brasileiro experenciou o Caparaó no Espírito Santo e se apaixonou pelo café da região.
Reprodução
O planejamento, que alavancou o negócio do Café do Sol Nascente e outros nove empreendimentos do Caparaó, se deu com o objetivo de oferecer uma gama de possibilidades para aumentar o tempo de estadia dos turistas nas cidades da região, como explica Leonardo Ferreira, analista da regional Caparaó do Sebrae/ES.
“A gente criou o roteiro com o objetivo de ter um ‘cardápio’, algo abrangente que trouxesse mais capilaridade para aumentar o tempo de estadia dos turistas. E, automaticamente, a gente vai promovendo o desenvolvimento da região por meio dessas ações”.
Para o especialista, a linha entre o turismo e a cafeicultura no Caparaó já é muito tênue, considerando que a região tem grande relevância na produção de café nacional.
“Toda essa relevância, toda essa qualidade, tem uma interface muito grande com o turismo. Além disso, o clima no Caparaó é ameno e há diversas cachoeiras.”
Resultados para a economia e ensinamentos para os turistas
Café Cantinho da Floresta, em Divino de São Lourenço, Caparaó, Espírito Santo
Divulgação
Ampliar o portfólio de atrativos no Caparaó para impulsionar ainda mais o turismo na região passou a ser uma demanda devido à reforma tributária. Desde que as mudanças passaram a valer, os municípios do Espírito Santo têm buscado alternativas para resistir à perda de arrecadação.
⁉️ Com a reforma, impostos federais, o ICMS estadual e o ISS municipal serão substituídos por dois novos impostos: a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). Além disso, o tributo sobre o consumo passará a ser cobrado no local onde os produtos são consumidos, no “destino”, e não mais onde eles são produzidos. Por isso, alguns municípios podem perder receita, visto que eles passam a depender mais de onde as pessoas consomem.
Conforme o analista do Sebrae, o turismo é uma das maneiras mais eficazes de fazer com que o consumo nas cidades aumente.
“Trazer o turismo para dentro faz com que eu traga dinheiro de outros locais para dentro desses municípios, ou para dentro do Estado. Então, o que a gente quer é fomentar o consumo dentro do estado para que isso gere receita para os municípios e eles não sejam tão impactados pela nova reforma tributária.”
A Secretaria de Cultura e Turismo de Dores do Rio Preto, Denise Maria Silvério, afirma que a medida agrega muito valor aos cafés especiais e à região, e que, com o tempo, vai promover melhorias para a própria população.
“Para nós, é de extrema importância que cada vez mais o turismo cresça e a população abrace essa causa para fazer crescer o consumo local, gerar renda, gerar receita e gerar melhorias no município também. Porque, com isso, a gente vai melhorando as estradas, melhorando os acessos, melhorando a parte visual e turística do município.”
Mas, para além de gerar receita às cidades, o roteiro tem outro impacto. Sob o slogan “do pé à xícara”, o projeto incentiva um compartilhamento de conhecimentos – o que as famílias que trabalham há dezenas de anos com o café têm de sobra.
Café Cantinho da Floresta, em Divino de São Lourenço, Caparaó, Espírito Santo
Divulgação
Para o produtor rural Leôncio de Sousa Aguiar, de 34 anos, este é, inclusive, um dos principais pontos positivos do projeto. “Agrega valor ao produto e também traz aprendizado”, defende ele.
Responsável pelo Café Cantinho da Floresta, em Divino de São Lourenço, Leôncio contou que a família está há mais de um século cultivando café no mesmo solo. Tendo iniciado a produção especial em 2021, agora ele e os pais planejam abrir uma cafeteria para proporcionar uma experiência completa aos visitantes.
“Nós vamos levar os turistas à lavoura, depois ao terreiro, em seguida terá a degustação para mostrar como a gente identifica se o café é especial ou não. Isso porque muita gente de grandes cidades não conhece o café. Acha que é um produto fácil que plantou ali, colheu, arrancou, depois plantou de novo. Mas o café exige um cuidado.”
O subsecretário de Turismo de Irupi, Weuller de Souza, que também é barista, complementa. Para ele, as degustações guiadas também são responsáveis por levar “muita informação sobre o café especial, especificamente o do Caparaó, explicando o slogan ‘naturalmente doce, sensorialmente diverso’.”
Além disso, o subsecretário pontua que o roteiro atua trazendo valorização à região, que pode se consolidar como importante destino turístico no país, e às famílias “que se esforçam todos os dias para continuar produzindo com muita técnica e qualidade esse produto que hoje enaltece o nome da região.”
“Essa valorização impulsiona e gera pertencimento para os jovens e crianças que crescem no meio cafeeiro, lhes dando propósito de sucessão no agronegócio familiar”, afirma Weuller de Souza.
Identidade do café e do produtor é parte central do negócio
Sítio Bela Vista, em Ibitirama, Caparaó, Espírito Santo
Divulgação
O aprendizado, no entanto, não é restrito aos turistas. Com a elaboração do projeto, os produtores foram convidados a aprender sobre turismo de experiência e a desenvolverem, com os recursos disponíveis em suas propriedades, um produto próprio e autêntico.
Ao longo de 7 meses, consultores do Sebrae acompanharam os 10 empreendimentos que compõem o roteiro para auxiliar na identificação de atributos que poderiam se transformar em atrativos únicos e compartilhar sugestões de melhorias.
A ideia principal era partir daquilo que já existia e do que os proprietários desejavam criar. Assim, explica Leonardo Ferreira, a família produtora se torna a protagonista da história, tanto do café quanto do negócio.
“A gente tem produtores que têm café e horta, outros que têm cafeteria, outros que têm duas variedades de café. São coisas que enriquecem a história do produtor e que dão ao turista uma oportunidade única de ter um contato com algo que é muito afetivo.”
Sítio Bela Vista, em Ibitirama, Caparaó, Espírito Santo
Divulgação
A partir deste movimento, o produtor também acredita que o trabalho árduo no campo, que resulta em um produto especial, será mais valorizado. É o caso de Pedro Alves da Silva, 48 anos, do Sítio Bela Vista, em Ibitirama.
Na propriedade, o turista vai à lavoura, entende todos os processos da cafeicultura e termina a visita passando na casa do produtor para degustar o café e provar quitutes caseiros.
“A pessoa que vê como é produzido o café vai se interessar mais, porque chegar no mercado e pegar um pacotinho de café é uma coisa; ver como é feito é muito diferente”, disse Pedro Alves.
A capixaba Aline Oliveira, 33 anos, e as amigas que saíram da Grande Vitória rumo ao Caparaó comprovam esse pensamento. “O café é produzido lá mesmo. E aí é uma outra experiência, com o friozinho, a vista, você saber que o café é de lá. O produtor contou como funciona o processo. É um café premiado também. Foi uma experiência maravilhosa”, afirma.
Aline Oliveira e as amigas foram ao Caparaó, no Espírito Santo, e experimentaram o café especial em um deck.
Reprodução
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Villa Januária
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☕ Degustação guiada de cafés especiais em meio aos jardins da pousada, com vista para o Vale do Paraíso.
Sítio Menina
📍 Pedra Menina, Dores do Rio Preto
☕ Degustação de cafés filtrados e drinks autorais em deck panorâmico, com vista para o pôr do sol.
Café Cantinho da Floresta
📍Divino de São Lourenço
☕ Vivência sobre o ciclo do café, da lavoura à degustação, com história da produção familiar.
Sítio Campo Azul
📍Divino de São Lourenço
☕Degustação de cafés especiais e quitutes caseiros em meio às montanhas.
Café Relíquia
📍Divino de São Lourenço
☕Passeio pela lavoura, torra artesanal e degustação de cafés premiados.
Sítio Bela Vista
📍Ibitirama
☕Experiência do ciclo do café com degustações harmonizadas e quitutes caseiros.
Vale Encantado
📍Córrego dos Coelhos, Irupi
☕Harmonização de cafés com bala de leite e contação da história local.
Café Sol Nascente
📍Rio Claro, Iúna
☕Café colonial com receitas tradicionais e cafés especiais em casarão histórico.
Café do Príncipe
📍São João do Príncipe, Iúna
☕Vivência sobre torra artesanal, sustentabilidade e degustação com produtos locais.
Café do Sol Nascente, em Iúna, Caparaó, Espírito Santo.
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