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Home»Entretenimento»Júri popular inédito contra Meta e Google entra no 3º dia nos EUA; redes são acusadas de causar vícios em crianças
Entretenimento

Júri popular inédito contra Meta e Google entra no 3º dia nos EUA; redes são acusadas de causar vícios em crianças

fevereiro 11, 2026Nenhum comentário0 Visitas
Redes sociais vão a julgamento nos Estados Unidos
Um júri popular inédito contra a Meta, dona do Instagram e Facebook, e Google, que detém o Youtube, entra no seu terceiro dia de julgamento nesta quarta-feira (11), nos Estados Unidos.
A partir das 11h, o tribunal de Los Angeles irá ouvir o chefe do Instagram, Adam Mosseri, que deve prestar depoimentos sobre se o design do aplicativo traz prejuízos para a saúde mental de crianças e adolescentes.
As duas big techs são acusadas de desenvolverem propositalmente produtos viciantes para crianças com o objetivo de aumentar seus lucros.
A ação foi movida por uma jovem de 20 anos, identificada nos documentos do processo pelas iniciais K.G.M. Ela é chamada de Kaley no tribunal.
A jovem afirma que começou a usar redes sociais aos 6 anos e que foi exposta a conteúdos prejudiciais e a filtros que contribuíram para que ela desenvolvesse depressão, ansiedade, pensamentos suicidas e distorções na forma como se enxerga.
O júri deve se estender por oito semanas. O CEO da Meta, Mark Zuckerberg, deve depor a partir do dia 18 deste mês.
Na primeira audiência, na segunda-feira (9), o advogado de Kaley argumentou que ela teve acesso a conteúdos perigosos e deprimentes, e que os filtros do Instagram a levaram a desenvolver uma distorção de imagem.
O TikTok e o Snapchat também eram alvos da ação, mas fecharam acordos confidenciais antes do início do julgamento.
Defesa do Google: ‘Ela não é viciada’
No segundo dia de julgamento, na terça (10), a defesa do Google buscou afastar a ideia de que o YouTube tenha sido projetado para causar dependência.
O advogado Luis Li afirmou aos jurados que a plataforma “não quer deixar as pessoas viciadas [em seu site] mais do que elas ficariam em bons livros ou em aprender coisas novas”. Ele também declarou que o YouTube não tenta “entrar no seu cérebro e reconfigurá-lo”.
Li reforçou a linha de que a própria autora não se considera dependente.
“Ela diz que não é viciada, o pai dela disse que ela não é viciada, o médico dela diz que ela não é viciada”, afirmou o advogado, segundo a Bloomberg.
“Os prontuários médicos dela, em 10 mil páginas, não dizem que ela é viciada. O comportamento dela não parece o de alguém viciado. Então, por que estamos aqui?”
O advogado também disse que a jovem usou o YouTube por uma média de apenas 29 minutos por dia ao longo dos últimos cinco anos.
Sobre o funcionamento da plataforma, a defesa argumentou que o sucesso de vídeos se deve às recomendações dos próprios usuários, e não a um mecanismo deliberado para estimular consumo compulsivo.
Segundo a Bloomberg, Li negou que o YouTube use ferramentas como “rolagem infinita” e “reprodução automática” para “fisgar” jovens e afirmou que muitos recursos podem ser desativados.
“Todas essas coisas podem ser desativadas. Se você não gosta, desligue. É simples assim. A única ferramenta que funciona é aquela que você usa.”
‘Máquinas caça-níqueis’
Do outro lado, o advogado da jovem, Mark Lanier, sustenta que as plataformas foram desenhadas para explorar a vulnerabilidade de cérebros em desenvolvimento.
Ele acusou as empresas de terem “construído máquinas projetadas para viciar o cérebro de crianças”.
“Imagine uma máquina caça-níquel que cabe no seu bolso. Ela não exige que você leia ou digite, exige apenas um movimento físico.”
“Para uma criança como Kaley, esse movimento é a alavanca de uma caça-níquel. Toda vez que ela desliza o dedo, ela está apostando. Não por dinheiro, mas por estimulação mental.”
Na abertura do julgamento, a defesa da Meta também argumentou que os problemas de saúde mental da jovem estariam ligados a abusos e conflitos familiares, e não apenas ao uso das plataformas, como mostrou o g1.
Rolagem infinita e saúde mental
Adam Mosseri, chefe do Instagram, presta depoimento nesta quarta-feira (11) sobre se design de aplicativo é viciante. Imagem de 8 de dezembro de 2021, tirada em Washington, D.C., Estados Unidos.
REUTERS/Elizabeth Frantz
Kaley, autora do processo, disse que o recurso de rolagem infinita a mantinha presa ao aplicativo e aumentava sua ansiedade, de acordo trechos processo citados pela agência Reuters.
A agência lembra que a Academia Americana de Pediatria declarou em janeiro que esse tipo de recurso pode tornar mais difícil para crianças “se desligarem de dispositivos digitais”.
O chefe do Instagram, Adam Mosseri, irá depor nesta quarta, mas antes de ir ao júri, um porta-voz da Meta disse a companhia discorda “fortemente dessas alegações”.
“Estamos confiantes de que as evidências mostrarão nosso compromisso de longa data em apoiar os jovens”, afirmou.
Ainda segundo a Reuters, advogados da empresa afirmaram no tribunal que discussões internas tinham como objetivo “resolver problemas e adicionar recursos para dar aos usuários mais controle”.
Já o advogado da jovem sustenta que registros internos mostram que a empresa estava ciente de danos a crianças e adolescentes.
Possível efeito em cascata
O resultado desse caso pode ter impacto muito além da história individual da autora.
O caso é visto como um marco porque pode influenciar centenas de ações semelhantes movidas contra gigantes da tecnologia nos EUA.
Os processos não se concentram apenas em conteúdos específicos, mas no próprio modelo das plataformas: algoritmos, sistemas de recomendação e mecanismos de personalização que, segundo os autores, incentivam o uso compulsivo.
A estratégia jurídica é comparada à usada contra a indústria do tabaco nas décadas de 1990 e 2000, destacou agência de notícias France Presse.
Com depoimentos de executivos de alto escalão e possíveis revelações de documentos internos, o terceiro dia de julgamento marca o início de uma fase considerada central para definir como a Justiça americana vai tratar a responsabilidade das redes sociais sobre a saúde mental de crianças e adolescentes.
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