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Home»Tocantins»Como funcionava a fraude em crédito rural que levou a bloqueio de R$ 141,7 milhões no TO
Tocantins

Como funcionava a fraude em crédito rural que levou a bloqueio de R$ 141,7 milhões no TO

junho 9, 2026Nenhum comentário0 Visitas
PF bloqueia mais de R$140 mi em operação que investiga fraudes de financiamentos rurais
O grupo investigado por fraudes em financiamentos rurais no Tocantins teria supervalorizado bens para serem usados como garantia nos empréstimos. Um dos suspeitos é um ex-funcionário do banco, que supostamente tinha a função de inserir informações falsas nos sistemas e enquadrar clientes como produtores rurais.
Na manhã desta terça-feira (9), a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão contra oito pessoas investigadas na Operação Terra Falsa. Conforme a Polícia Federal, também foram bloqueados mais de R$ 141,7 milhões e US$ 400 mil, que equivalem a R$ 2.067.560, segundo cotação do dia 8 de junho de 2026.
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O Banco Itaú foi procurado, mas não se posicionou até a última atualização desta reportagem.
A Polícia Federal pediu a prisão preventiva de parte dos investigados, mas a 4ª Vara Federal Criminal de Palmas decidiu, neste momento, apenas pelas ordens de busca e apreensão, além do bloqueio e sequestro de bens.
Os investigados não tiveram os nomes divulgados e o g1 não conseguiu contato com a defesa deles.
Como funcionava o esquema
De acordo com as investigações da PF, um ex-funcionário do banco, responsável pelo setor de agronegócio, é apontado como o principal articulador.
Ele utilizava seu acesso privilegiado para inserir informações falsas nos sistemas do banco, permitindo que pessoas sem qualquer histórico ou capacidade econômica se passassem por produtores rurais. Essa “ruralização artificial”, segundo a investigação, permitia que o grupo tivesse acesso a linhas de crédito rural.
“Veja que não são apenas dados incorretos de cadastro, mas elementos que estão na essencia da avaliação do crédito concedido, levando o agente à má avaliação do risco da operação”, diz a decisão.
O esquema contava ainda com captadores de clientes que buscavam interessados e se apresentavam como facilitadores de “contatos privilegiados” no banco, condicionando a obtenção de recursos ao pagamento de comissão.
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Mandados de busca foram cumpridos nos endereços de investigados
PF/Divulgação
A valorização artificial de imóveis
O ponto central da estratégia para aumentar os lucros ilícitos era a manipulação do valor de propriedades rurais. O grupo adquiria imóveis e, em prazos extremamente curtos, promovia uma grande valorização desses bens nos registros e avaliações.
Para a polícia, essa valorização era artificial e buscava dar os imóveis como garantia para financiamentos que, em tese, não seriam pagos.
Há registros de bens que sofreram valorizações superiores a 2.600% para servirem como garantia a novos empréstimos de alto valor. As investigações apontaram dois casos como exemplo:
Um imóvel comprado por cerca de R$ 565 mil foi oferecido como garantia de hipoteca, pouco tempo depois, avaliado em mais de R$ 3,6 milhões.
Em outra operação, uma propriedade que custou R$ 221 mil foi avaliada em R$ 2,5 milhões apenas onze meses após a compra.
A suspeita da Polícia Federal e do Ministério Público Federal é de que esses créditos eram contratados com o objetivo prévio de inadimplemento, ou seja, os valores eram liberados e nunca devolvidos ao banco, enquanto a instituição ficava com garantias que não correspondiam ao valor real de mercado.
Para garantir o ressarcimento dos danos, foi determinado o bloqueio de ativos financeiros, o sequestro de imóveis, veículos e até rebanhos de animais em nome dos investigados. Além disso, a Justiça autorizou o acesso a dados de aparelhos eletrônicos e computadores apreendidos para aprofundar a investigação sobre o fluxo financeiro do grupo.
Carros de luxo são apreendidos durante operação da PF em Palmas
Divulgação/Polícia Federal do Tocantins
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